As políticas públicas lá em casa…
Segunda-feira, 16 de Fevereiro, 2009Há uns dias chegou o Magalhães a nossa casa. O Pedro mal dormiu na noite anterior, com a excitação. E se para ele os computadores não são novidade, pus-me a pensar no que terão sentido os meninos e as meninas que não tiveram até agora semelhante privilégio… Mas pensei também naquilo que neste período de implementação podia ter corrido melhor e evitado a “revolta” sentida pela professora por “ter tido que preencher todas as fichas para o Magalhães” (!), o cepticismo generalizado na escola sobre a forma como será possível integrá-lo nas actividades curriculares, ou ainda a falta de (circulação de?) informação que fomos sentindo.
É um bocado desencorajante assistir a semelhante recepção a um dos mais formidáveis instrumentos de democratização no acesso às tecnologias de informação e comunicação das últimas décadas. Sobretudo quando recebemos registos como este, do Uruguai, em que (descontada a propaganda oficial) nos chegamos a emocionar. Acredito que a situação mudará rapidamente. O Magalhães encarregar-se-á disso. Mais difícil será mudar a cabeça daqueles pais que, por estarem entre as famílias de maiores rendimentos e, como tal, terem usufruído desta medida ao subsidiadíssimo preço máximo de 50€, reagiram ao meu incontido entusiasmo com um cínico “e porque é que havemos de andar a pagar pelos pobres? Depois vão vender o Magalhães à Feira da Ladra”. Ora bolas! Este é mesmo o maior desafio que temos pela frente.


