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Pré-apresentação

Sexta-feira, 17 de Julho, 2009

Hoje, pelas 18h no Centro Nacional de Cultura, é apresentado o novo número da revista Finisterra. Publicada pela Fundação Res Publica e desde sempre ligada à área do socialismo democrático e suas organizações, a Finisterra completa agora 20 anos de publicação, uma marca extremamente rara nas publicações de reflexão e crítica em língua portuguesa.

Ao contrário de títulos apostados no espavento em proveito exclusivo de quem os faz, a Finisterra tem uma já longa tradição de publicar textos de real valia cultural e científica que, muitas vezes, passam despercebidos.

Actualmente dirigida por Eduardo Lourenço, que estará presente na sessão, a revista, cujo novo número é dedicado à crise internacional de hoje, será apresentada por Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do CNC.

Por último, fica o registo: o autor deste post contribuiu com um artigo para o número que hoje é apresentado.

Uma boa notícia

Sexta-feira, 3 de Julho, 2009

A notícia de hoje, sobre um estudo da SEDES que revela ser a Justiça aquilo que mais preocupa os cidadãos de Portugal, é boa. Significa que mesmo uma instituição há tanto tempo comprometida com agendas particulares pode produzir estudos pertinentes (honra a Pedro Magalhães) e que é capaz de obter para eles o devido destaque. Além disso, é boa, até sobretudo, por indicar que os cidadãos se preocupam com aquilo que mais importa em qualquer país.

No meio de manifestos, notícias e debates sobre investimento, crescimento, dívida, etc., os cidadãos percebem que tudo isso é menor quando comparado com o alicerce de qualquer sociedade. Para quem, como o autor destas linhas, há anos o escreve, apesar de «as Esquerdas» elegerem sistematicamente como bandeira temas mais imeditados como o (des)emprego, não espanta. Conviria portanto que, sem prejuízo do que já se fez, se preste atenção no discurso político a esta realidade agora mais documentada.

Sistema de justiça injusto, claramente. E mesmo isso apenas como ponta do iceberg de uma sociedade estruturalmente iníqua. Por isso soa tão actual o discurso seareiro do tempo da I República (se ainda alguém quiser saber). O que deveria fazer-nos pensar, sem dramas, até pela proximidade desse centenário. Para o socialismo democrático, não basta afirmar que o combate às corporações também passa por aqui. Na realidade, ele joga-se, no essencial, na justiça. Sem ela não pode haver essa ética republicana, igualdade em liberdade.

Estratégias mediáticas

Sexta-feira, 26 de Junho, 2009

Este artigo de João Cardoso Rosas merece atenção a pelo menos dois títulos. O primeiro é o da certeira exposição que faz do mecanismo antidemocrático próprio da retórica política que reclama a exclusividade da verdade. Mas, não nos iludamos: já na última campanha presidencial o candidato vencedor foi o que defendeu a tese segundo a qual duas pessoas com a mesma informação forçosamente chegam à mesma conclusão. Esta alegada objectividade da política não é nova nem é fácil de rebater.

Isto porque, e aqui reside o segundo título de interesse do caso, o fito de associar uma candidata à verdade não é valorizar a verdade junto do eleitorado, mas sim valorizar a candidata. O título honroso de «verdadeira», de conotação moral, orna a candidata, sem consequência na acção política. Assim, quem se associa a esta retórica pode escandalizar-se com a próxima instrumentalização da TVI pelo governo, sem nada dizer sobre a anunciada instrumentalização já exercida sobre a TVI via a administração de Pina Moura, que tanta gritaria gerou apenas há um par de anos e que de lá para cá nos deu  esse exemplo de situacionismo (ou bom jornalismo?) que são os diálogos VPV-MMG.

Esta insistência na verdade para dissimular a irrealidade comprovada, aliás, ainda antes de repetida pela candidata foi enunciada no blog Abrupto. E não é caso único: o igualmente ruidoso manifesto de economistas, além de uma involuntária confissão de inutilidade dos próprios (quando não de irresponsabilidade de tantos deles), é apenas um dos muitos casos possíveis de degradação da política em nome de uma moral apenas simulada ou de um saber indemonstrado.

Conviria por isso, em vez de indignação, recordar os factos ao eleitorado. Em vez de desafios a que mostrem um programa (que não têm nem verdadeiramente querem), que se falasse do futuro relembrando as nossas iniciativas. Como muito bem se fez a respeito da lei sobre transparência e concentração dos media, chumbada sabe-se bem por quem.

É bom saber…

Sexta-feira, 19 de Junho, 2009

… que artigo de ontem de João Cardoso Rosas está a ser divulgado. Rigorosamente, nada de novo, mas, em todo o caso, bem actual e necessário. Sugestão de leitura complementar, para que os menos informados saibam da já razoável história destas coisas ideológicas do socialismo em Portugal, encontra-se aqui.

Outubro em Junho

Terça-feira, 9 de Junho, 2009

Hugo Mendes escreve sobre as eleições: «A conclusão não é particularmente animadora para a esquerda», o que subestima o nacionalismo de muita esquerda. E mesmo para quem é cosmopolita por pensamento e convicção, não deixa de ser triste e preocupante ver como por cá só a CDU se referiu nesta campanha à questão bem real e decisiva da soberania (não por acaso, uma referência em que esta Esquerda se entende bem com a Direita que bem conhecemos).  Mais: escrever isso é perder de vista que a «animação» tem de ser ideológica, não técnica nem (apenas) edificante e responsável. Dizer o que se quer, o que se está disposto a pagar por isso, o que se pretende obter, etc., identificando essas escolhas com uma esquerda (socialista, social democrata, socialista democrática, o nome é o menos). A questão do imposto europeu servia perfeitamente, mas houve incapacidade de lidar com o ruído em volta. Como também acontece no post do País Relativo, que esquece que muitos mais foram os votos perdidos para a abstenção do que os conquistados pela extrema-direita ou por conservadores.

Para uma pequena revista de outros textos, ver aqui.

Dia de reflexão

Segunda-feira, 8 de Junho, 2009

Depois dos posts sobre a campanha, notas para as próximas campanhas.

O Público e o seu público

Quinta-feira, 4 de Junho, 2009

Esta «notícia» (as aspas devem-se à escassa relação com o título, como um parágrafo no final da peça aliás admite) do Público ilustra bem o «jornalismo» (explicação aqui desnecessária) que por lá se pratica. Noto que relativamente à edição em papel a notícia principal passou a secundária, a secundária passou a principal. Gosto sobretudo do pormenor de ser inserida à tarde, depois de surgir na edição desta manhã do jornal, de modo a tapar na edição da net a notícia sobre uma vereadora de Santana…

Ontem era a «máquina» do PS que alegadamente era maior do que a da concorrência, apesar de os números não o confirmarem e de isso ser como que um anúncio do resultado de dia 7, por muito que isso custe a tantos redactores.

Ainda antes, e sem qualquer tentativa de influenciar resultados, o Público e outros órgãos de comunicação desinformavam o público sobre o significado de «margem de erro» na sondagens, para criar ansiedade quanto ao desfecho da campanha. 

Os próximos dias serão ainda mais reles, decerto. E a campanha já tem tanto de negativo…

Mas é de crer que o pior virá quando for preciso explicar a não punição do PS. Até porque, a avaliar pelos títulos dos posts ligados à notícia, o público desta «informação» gosta disto. Resta saber se o «sucesso» destes expedientes tem relação com as intenções de voto. Margens de erro devidamente ponderadas, até agora nada o indica. Do mal, o menos.

A campanha

Terça-feira, 2 de Junho, 2009

Tal como ficou aqui escrito a 19 de Maio, a campanha não corre muito bem. Aproxima-se cada vez mais de um registo de pura campanha negativa. O que não surpreende, atendendo aos meios da Direita e da extrema-Esquerda, que não deixam muita margem de manobra. Mas se os resultados que se anunciam justificam um mínimo de optimismo (o Margens de Erro, já «linkado» a 19 de Maio, continua a ser a melhor das fontes), nem por isso é animadora a perspectiva de mais duas campanhas neste tom, adivinhando-se uma intensidade ainda maior. A abstenção alimenta-se mais destas campanhas persecutórias do que da crise, creio.

Sobre sondagens

Terça-feira, 19 de Maio, 2009

O quadro final deste post de Pedro Magalhães tem pelo menos um motivo de interesse que não vi comentado na caixa (tal como não dei com nenhum link para o post noutros sítios, estranhamente): o PS é o único partido em subida constante nas intenções de voto em todas as sondagens (e há mais do que um método usado). Isso, suponho, deve ser o que mais incomoda quem se queixa das sondagens.

Para quem entenda que a campanha do PS está a correr bastante mal, isto só reforça a sensação de ser a oposição o melhor apoio do governo (do PS, neste caso) desde há algum tempo. Mas mesmo isso não invalida que o combate à abstenção, essencial para as eleições de Junho e para as seguintes, pareça estar a ser perdido. E, se isso acontecer, as consequências, mesmo que pequenas em Junho, serão grandes mais tarde.

PUB institucional

Terça-feira, 12 de Maio, 2009

Aqui, como de costume.