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Estratégias mediáticas

Este artigo de João Cardoso Rosas merece atenção a pelo menos dois títulos. O primeiro é o da certeira exposição que faz do mecanismo antidemocrático próprio da retórica política que reclama a exclusividade da verdade. Mas, não nos iludamos: já na última campanha presidencial o candidato vencedor foi o que defendeu a tese segundo a qual duas pessoas com a mesma informação forçosamente chegam à mesma conclusão. Esta alegada objectividade da política não é nova nem é fácil de rebater.

Isto porque, e aqui reside o segundo título de interesse do caso, o fito de associar uma candidata à verdade não é valorizar a verdade junto do eleitorado, mas sim valorizar a candidata. O título honroso de «verdadeira», de conotação moral, orna a candidata, sem consequência na acção política. Assim, quem se associa a esta retórica pode escandalizar-se com a próxima instrumentalização da TVI pelo governo, sem nada dizer sobre a anunciada instrumentalização já exercida sobre a TVI via a administração de Pina Moura, que tanta gritaria gerou apenas há um par de anos e que de lá para cá nos deu  esse exemplo de situacionismo (ou bom jornalismo?) que são os diálogos VPV-MMG.

Esta insistência na verdade para dissimular a irrealidade comprovada, aliás, ainda antes de repetida pela candidata foi enunciada no blog Abrupto. E não é caso único: o igualmente ruidoso manifesto de economistas, além de uma involuntária confissão de inutilidade dos próprios (quando não de irresponsabilidade de tantos deles), é apenas um dos muitos casos possíveis de degradação da política em nome de uma moral apenas simulada ou de um saber indemonstrado.

Conviria por isso, em vez de indignação, recordar os factos ao eleitorado. Em vez de desafios a que mostrem um programa (que não têm nem verdadeiramente querem), que se falasse do futuro relembrando as nossas iniciativas. Como muito bem se fez a respeito da lei sobre transparência e concentração dos media, chumbada sabe-se bem por quem.